sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Voluntariado em Moçambique: novamente, um sucesso!





No último dia 6 de fevereiro chegaram ao Brasil o grupo de 8 Voluntários das IES Lassalistas que passaram 21 dias em Beira-Moçambique. Em virtude de diversos problemas técnicos, a atualização do blog não pôde ser realizada diariamente, no entanto, agora, passados alguns dias da chegada, desfeitas as malas e o coração voltando a respirar ares brasileiros, com muita saudade, o grupo partilha mais relatos, fatos, fotos, sensações deste período inesquecível da vida deste grupo!



Atividades pedagógicas realizadas  com as crianças do Centro Social Assistencial La Salle






 




Foto: Antônio C. Grandini
Ao final de uma história contada, as crianças prontamente colaboravam em recolher os papéis picados – tudo é importante para elas, desde a nossa presença até o material utilizado, as atitudes são sempre positivas para que a tarefa seja executada.

Foto: Antônio C. Grandini
Voluntária Cátia Müller orienta a atividade de criação de desenho sobre a história ouvida.

Foto: Antonio C. Grandini

Voluntárias Thayla Molina e Janete Schneider trilham corda para as crianças pularem – aqui foi observada a dificuldade motora de algumas delas e outras com extrema habilidade e sincronia nos pulos. A resistência física é algo que chama a atenção, visto que muitas crianças atendidas pelo CEALS não se alimentam todos os dias. Outra observação é que não adiantava entregar uma corda para que elas brincassem, isso só ocorria quando os voluntários estavam junto com elas, há necessidade de “estar junto” de alguém que as acolham e orientem as atividades.




Fotos: Antônio C. Grandini
Ir. Silésio montou balanços de cordas e pneus para alegria geral das crianças. No Centro, todos os brinquedos são necessários, pois, para muitas crianças, é o único local em que elas têm algo para se divertirem. Há uma disputa para usufruírem do espaço, dando-nos a sensação de que muitas têm medo de perder a vez e não conseguirem dar sequer uma volta de balanço.
 





Foto: Antônio C. Grandini
 Brincadeiras com a bola são muito atrativas para as crianças – a voluntária Janete Schneider orienta atividades com ativa participação. Nosso olhar foi bastante atento aos pequenos grupos (quando era possível) a fim de que todos tivessem chance de participar e se sentissem valorizados.



Fotos: Lúcia R. L. Rosa









 






Uma simples tarefa de montar quebra-cabeças tornava-se um grande desafio. Grande maioria das crianças tinham dificuldade em encontrar a sequência de formas e cores. Com a nossa observação e diálogo sobre a montagem feita, conseguíamos melhorar alguns jogos, para muitas, bastava fechar um quadrado ou retângulo, não importando o desenho formado. Percebia-se o pouco contato com desenhos e desafios lógicos, amenizados pouco a pouco pela nossa intervenção gradual, permitindo que refletissem e elaborassem hipóteses sobre o resultado final.





Foto: Antônio C. Grandini

A mera tarefa de distribuir água e um pequeno lanche demandava esforço na medida em que era preciso organizar fila(bicha) e garantir acesso a todos; lavar as mãos faz parte da aprendizagem (difícil hábito a ser implantado). Ir. Reinaldo, diretor do CEALS, auxiliado por voluntários orienta a higiene com muito carinho.

 

Foto: Cátia Müller

Participação em aula de Séries Iniciais na Escola João XXIII – voluntária Eliane Lirio interage com alunos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: Cátia Müller

Ir. Silésio sempre rodeado de crianças, carinho e atenção são os ingredientes principais para a convivência e a tentativa de melhorar a vida de quem nada possui de bens materiais. A facilidade de vivência em grupo é uma das características do povo moçambicano.

 

Fotografados por um morador de Beira, os voluntários, juntamente com o Ir. Reinaldo, experimentam a sensação de grandiosidade de um baobá – a árvore do Pequeno Príncipe também nos inspirava para seguir na caminhada.

 









Foto: Cátia Müller
Montagem de quebra-cabeças: embora fácil para um estudante em escolarização regular, para os freqüentadores do Centro revelou-se muito complexo, cuja intervenção liderada pela psicopedagoga Thayla Molina, foi crucial.
Fotos: Cátia Müller
Carina Mallon conduz a participação das crianças na contação de história. Simples gestos sincronizados precisam ser ensaiados com atenção. Após o ensaio, nunca mais esquecem o que foi realizado, revelando prazer e emoção para além do momento da história. A acadêmica de História tem propriedade para intensificar e dar sentido aos mínimos gestos de nossas atividades, até mesmo para a mágica de uma chuva colorida!


Foto: Cátia Müller
Cuidar da alimentação em situação de fome foi uma constante preocupação da voluntária Eliane Lirio, de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso-Brasil, a acadêmica de Direito trouxe também a vontade de recuperar a plantação de alimentos no Centro Assistencial La Salle. A reativação da “machamba” foi realizada com intensidade!
Imagens de carinho e atenção – jamais serão esquecidas as lições de vida aprendidas em Moçambique:

 

 

 


Vale a pena ler!

O luto da Universidade Federal de Santa Maria

 
Vida acadêmica sofre os reflexos da tragédia na boate Kiss

Aos poucos a vida começa a retomar seu rumo na Universidade Federal de Santa Maria. Os mais de 27 mil alunos e 1,8 mil funcionários voltam à rotina com a chance de encontrar a carteira do lado vazia. As atividades recomeçaram no dia 4 de fevereiro, após uma semana de luto decretado pela universidade, que perdeu 116 alunos na tragédia da boate Kiss. Luto, superação e solidariedade são alguns dos sentimentos que estão guiando as ações da comunidade, dentro e fora do Campus. Mas como a vida acadêmica da UFSM foi afetada pela tragédia? O que a instituição está fazendo para garantir a retomada dos trabalhos?

De acordo com declarações da diretora do Centro de Educação (CE), Helenise Sangoi no portal da instituição, o entendimento dos gestores da UFSM é de que esse processo é longo e vai levar um tempo significativo dentro da comunidade. "o mais interessante de tudo é acolher. Que a nossa comunidade tenha empatia a esse sentimento e que a gente consiga transformar, dentro do possível, num momento de crescimento da nossa espiritualidade, nosso fortalecimento como espaço coletivo de enfrentamento a esse desafio", desabafa.

Ainda segundo ela, reuniões periódicas entre os diretores dos centros de ensino da UFSM e a reitoria vêm delineando os próximos passos da universidade para a retomada da rotina acadêmica. Além disso, os gestores avaliam que as alterações no Calendário Acadêmico serão discutidas em momento oportuno, pois a prioridade no momento é acolher aos alunos.

Outra orientação da direção da universidade é em relação às formaturas agendadas. De acordo com o grupo, ficou definido que se converse com os coordenadores de cada curso para resolver sobre a realização ou não das cerimônias. No caso de manter o evento, recomenda-se que, após a execução do Hino Nacional (em volume baixo), faça-se respeitado um minuto de silêncio e que sejam retiradas as músicas individuais. Segundo a diretora do CE, Helenise Sangoi, a ideia é pensar numa solenidade silenciosa como o momento requer. E os cursos que quiserem transformar a formatura solene em ato de gabinete poderão fazê-lo.

Entre as principais atividades definidas, estão a criação do Centro de Acolhimento e a construção de um memorial em homenagem aos estudantes que faleceram no incêndio.  O Centro de Acolhimento tem como sede o Espaço Multiuso, próximo ao prédio da reitoria. A estrutura conta com uma equipe de psicólogos, psiquiatras, enfermeiros e assistentes sociais, que são coordenados pela pró-reitora adjunta de Assuntos Estudantis, Marian Noal Moro.

Ao Jornal O Globo, ela falou sobre a discussão em torno do recomeço das aulas. "Havia professores que apoiavam um adiamento mais longo ou até o cancelamento do calendário. Chegamos à conclusão de que o momento é de ficarmos juntos e, quanto antes retornarmos, melhor para a recuperação. Apesar de todas as iniciativas, o sofrimento será inevitável", avalia a professora.

Por meio desses encontros periódicos, os dez centros juntamente com membros da Administração Central realizaram um mapeamento dos setores mais atingidos com o falecimento das vítimas do incêndio. A partir disso, apontaram-se as políticas de acolhimento, iniciando emergencialmente pelo Centro de Ciências Rurais, onde foi realizada reunião no dia 31, passando pela Casa de Estudante, em que já começou um trabalho da coordenação da Casa junto com a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), chegando ao Hospital Universitário (HUSM). Posteriormente, englobará os outros centros.

A construção de um memorial em homenagem às vítimas do incêndio está sendo projetada pelos arquitetos da Pró-reitoria de Infraestrutura da UFSM. Ainda não há definições sobre prazos ou espaço físico para a obra.

Centro de Acolhimento e o auxílio às vítimas

O Centro de Acolhimento da UFSM atende a comunidade envolvida no incêndio da boate Kiss. O objetivo é encaminhar alunos e servidores para atendimento na rede de saúde mental disponível e auxiliar na recepção dos alunos e servidores nas unidades de ensino. O serviço funciona de 8h às 18h, por tempo indeterminado.
O Centro integra ações de psicologia, serviço social e enfermagem no atendimento. Com o auxílio prévio da equipe de profissionais, alunos e servidores estão sendo repassados para atendimento na rede municipal de saúde mental, em clínicas cadastradas no Conselho Regional de Psicologia, em clínicas escola, e também no Setor Psiquiátrico do Hospital Universitário.

A equipe do Centro de Acolhimento está realizando também ações de auxílio nas unidades de ensino da universidade. A partir de um mapeamento realizado por gestores, foi constatada a necessidade de atendimento ao Centro de Ciência Rurais (CCR), onde se realizou a primeira ação englobando docentes e técnico-administrativos.

Homenagem -  Para recepcionar a comunidade acadêmica no dia 4 de fevereiro,  foi organizada uma palestra de acolhimento neste Espaço Multiuso. O tema "Luto, dor e superação" foi abordado pela professora Claudia Fonseca, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e pelo terapeuta Sérgio Veleda, professor da Escola de Meditação e Artes Contemplativas Vale do Ser. A palestra foi promovida pelo Centro de Ciências Sociais e Humanas (CCSH).

Outra atividade de acolhimento organizada pela universidade aos seus alunos foi um culto ecumênico para prestar mais uma homenagem às vitimas da tragédia. Centenas de estudantes, alunos, professores e servidores compareceram. A cerimônia, guiada pelo Padre Xiko, contou com representantes, além da Igreja Católica, da Igreja Luterana, Igreja Carismática de Jesus Cristo, Protestantes e Comunidade Judaica. Em uma hora de celebração, a emoção e a fé tomaram conta dos participantes. Os celebrantes deixaram mensagens de apoio às famílias e aos amigos, pedindo que os presentes continuem o sonho dos jovens que perderam a vida. No final do Culto, 116 velas acesas se espalharam na multidão nas mãos dos estudantes, representando cada um dos alunos da UFSM que perdeu a vida na tragédia.

(Edna Ferreira, Jornal da Ciência)

Fonte: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=85813